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Local.CmiPtDeclaracaoDeIntencoesr1.2 - 19 Nov 2005 - 14:18 - AlsteRtopic end
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Parte 1. Declaração de intenções

1.1 - Em Julho de 2000, saído do nada, em termos de língua portuguesa, surgiu o azine.org, com a pretensão de se tornar num centro independente de informações. Tímidos, de início, ainda sem saber muito bem onde se escondiam as fontes das informações que lhes interessavam, os fundadores do azine foram passando notícias do teclado para o mundo. Pouco mais de um ano depois, passaram a fazer parte da rede internacional de media alternativo, indymedia.org.

1.2 - O imc-galiza surgiu como uma tentativa do Hacklab da Casa Encantada que faz parte do projecto Causaencantada. A intenção foi dotar a Galiza dum canal de comunicação aberta, plural e independente, tendo em vista que a tendência generalizada na zona é uniformizar os discursos e censurar qualquer visão que não subscreva esses parâmetros de uniformidade. A necessidade foi suscitada pela actual situação política mundial e particularmente pela que atravessava a Galiza, depois da crise sócio-ecológica do "prestige" e a virulência da guerra global permanente. O objectivo foi dinamizar expansivamente as estruturas de intercâmbio de informação numa linha próxima da transmissão oral tradicional (principalmente en línguas galegas), mas usando meios telemáticos que permitissem uma difusão mais efectiva e que capacitasse a população civil para a reflexão e a actuação no social de jeito autónomo, não regulado e não regulável.

1.3 - Em finais de 2003, e face à ausência de participação das pessoas no Centro de Média Independente (CMI), o colectivo editorial português decidiu interromper a actividade. No seguimento desse grito, e por iniciativa do CMI galego, iniciaram-se contactos com este, cuja situação era igualmente crítica, em termos de participação colectiva. Face a um primeiro encontro na cidade do Porto, começou a ganhar forma a conclusão de que os fortes laços comuns, históricos, culturais e a unidade linguística existente entre portugueses e galegos ajudariam a potenciar a emergência do CMI Portugaliza, como iniciativa pioneira de comunicação, já fundamental para a quebra de barreiras que separam Portugal e a Galiza depois de séculos de afastamento e desconhecimento mútuo.

1.4 - A rede Indymedia nasceu no calor da revolta de Seattle, como uma dimensão fundamental do movimento global. Um movimento que ultrapassa as tricas separadoras dominantes da acção política tradicional reformismo/revolução, local/global, violência/não-violência) e inventa respostas práticas para o esquivar desde os Fóruns Sociais, como forma organizativa que tenta superar o canibalismo político, até à 'desobediência civil protegida', como original prática de rua). Várias centenas de activistas de meios de comunicação, juntamente com hackers e malta do software livre uniram- se, nos finais de Novembro de 1999, em Seattle, para criar um Centro de Meios de Comunicação Independente e cobrir os protestos contra a OMC. O sítio web aberto recebeu quase um milhão e meio de visitas durante a contestação à cimeira e converteu-se imediatamente no início de uma rede (que hoje tem mais de 100 centros, em todos os continentes) que promove uma informação outra no coração da globalização, na sua aorta comunicativa.

1.5 - Introdução de intenções: A rede CMI permite editar, de forma instantânea, notícias, relatos, análises ou comentários, num meio acessível globalmente; anima a criação duma comunidade aberta e activa de utilizadores que se convertem, eles próprios, em meios de comunicação alternativa; reinventa um jornalismo político sem especializações. O CMI Portugaliza confia que as pessoas que publicam as suas notícias apresentem a sua informação de forma completa, honesta e exacta, evitando, dentro do possível, a simples propaganda. O conteúdo do sítio é, assim, criado através de um sistema de publicação livre: qualquer pessoa pode colocar notícias, seja em texto, seja em imagem. Através deste sistema de Média Directo, o CMI Portugaliza tenta causar o máximo de erosão possível nas linhas que dividem os repórteres daquilo que é noticiado, os produtores activos e a audiência passiva: as pessoas e colectivos podem falar por elas próprias. Queremos, assim, promover narrações verídicas e apaixonadas, coisa que a muita gente pode parecer incongruente. O CMI Portugaliza aposta nisso: só vê longe e de forma profunda quem permite que a paixão sirva de alicerce ao seu olhar. Mas o imperativo da veracidade é algo irrenunciável: queremos fazer uma luta política com verdade, ainda que saibamos que a verdade não é só para descobrir mas também para criar. O CMI Portugaliza quer sair do gueto, romper os diques, superar as discussões estéreis que o povoam e entretêm, evitar os exercícios ideológicos vãos. Quer ser uma ferramenta nas mãos das apostas políticas que estejam à altura dos tempos, que modifiquem a consciência das multidões e abram espaços de luta e sociabilidade alternativa subtraídos à lógica da guerra opressiva, do capitalismo e do patriarcado. Quer ser um CMI descentralizado que supere os provincianismos curtos de vistas, quer abrir janelas e portas a outras formas de fazer política que se ensaiam por todo o planeta para que se mobilizem a nossa imaginação social e as nossas esperanças num mundo outro.

1.6 - Termo de responsabilidade: Todo e qualquer material publicado é da exclusiva responsabilidade da pessoa que tomou a iniciativa de o publicar. O CMI Portugaliza existe com o único propósito de defender a liberdade de expressão, liberdade de informação e para servir o interesse público. O CMI Portugaliza fornece informação com a finalidade única de educar e promover a investigação. A informação, pontos de vista e opiniões contidos no CMI Portugaliza não são referentes ao dono nem ao servidor do site, nem são necessariamente referentes ao responsável pela manutenção e contribuição para a existência do site. Se alguém tiver alguma questão a colocar sobre a nossa visão política, por favor, sinta-se livre para nos contactar. Aconselhamos, por uma questão de honestidade, que ao colocar-se um texto da autoria de uma outra pessoa ou colectivo, se revele a sua fonte.

1.7 - Direitos de autor: O autor, ao colocar uma notícia ou qualquer outro artigo concorda explicitamente em que esse material seja usado, quer pelo CMI, quer por qualquer outra pessoa, sem nenhum tipo de limitação e sem que haja a receber seja o que for em troca.

1.8 - Conclusão e apelo: O CMI Portugaliza pretende, assim, pôr em prática todos os mecanismos da imaginação que nos permitam, em conjunto, criar, aqui e agora, fragmentos de um mundo melhor. O desafio é, portanto, grande. Mas acreditamos que um colectivo de pessoas empenhadas em construir algo em conjunto conseguirá, enquanto esse empenho se mantiver, fazê-lo, ultrapassando as várias barreiras que forem surgindo. Pretende-se, portanto, com este texto, não apenas a apresentação de uma nova forma de mostrar o que nos move, mas, acima de tudo, lançar um apelo para quem, como nós, acredita que a realização voluntária, colectiva e horizontal de um meio de informação é, ao mesmo tempo, uma machadada nos paradigmas actuais e uma experiência de trabalho num mundo em transformação. Um apelo para que se juntem a esse mundo, para que se povoe de gente e, portanto, de novas possibilidades de ser melhor.

-- AnaKya - 24 Oct 2004
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