Parte 1. Declaração de intenções
Portugal:
Em Julho de 2000, saído do nada, em termos de língua portuguesa, surgiu o azine.org, com a pretensão de se tornar num centro independente de informações. Tímidos, de início, ainda sem saber muito bem onde se escondem as fontes das informações que nos interessam, fomos passando notícias do teclado para o mundo. Pouco mais de um ano depois, passamos a fazer parte da rede internacional de media alternativo, indymedia.org.
Galiza: (da declaraçao de intençoes do antigo imc-galiza)
O imc-galiza xurdiu como umha iniciativa do Hacklab da Casa Encantada que forma parte do projecto Causaencantada. A intención é dotar á galiza dunha canle de comunicación aberta,plural e independente, en vista de q a tendencia xeralizada na zona éuniformar os discursos e censurar calqueira visión q non suscriba eses parámetros de uniformidade. A necesidade ven suscitada po.la actual situación política mundial e particularmente po.la q atravesa o noso país atlántico, tras a crise socio-ecolóxica do prestige e a viruléncia da guerra global permanente. O obxetivo é dinamizar expansivamente as estructuras de intercambio de información nunha liña cercana a transmisión oral tradicional, (principalmente en linguas galegas) pero usando medios telemáticos qpermitan unha difusión máis efectiva e que capaciten á poboación civil para a reflexión e a actuación no social de xeito autónomo, non regulado e nonregulable.
Em finais de 2004, e face à ausência de participação das pessoas no Centro de Média Independente (C.M.I), o colectivo editorial decidiu interromper actividade. No seguimento desse grito, desenvolveram-se contactos com o C.M.I da Galiza, tendo-se chegado à conclusão que os laços comuns culturais e linguísticos existentes entre portugueses e galegos deveriam potenciar a emergência do C.M.I Portugaliza.
(sería preciso completar)
Seattle:
A rede Indymedia nasceu no calor da revolta de Seattle, como uma dimensão fundamental do movimento global. Um movimento que ultrapassa as tricas separadoras dominantes da acção política tradicional (reformismo/revolução, local/global, violência/não violência) e inventa respostas práticas para lhes esquivar (desde os Fóruns Sociais, como forma organizativa que tenta superar o canibalismo político, até à 'desobediência civil protegida', como original prática de rua). Várias centenas de activistas de meios de comunicação, juntamente com hackers e malta do software livre uniram-se, nos finais de Novembro de 1999, em Seattle, para criar um Centro de Meios de Comunicação Independente e cobrir os protestos contra a OMC. O sítio web aberto recebeu quase um milhão e meio de visitas durante a contestação à cimeira e converteu-se imediatamente no início de uma rede (que hoje tem mais de 100 centros, em todos os continentes) que promove uma informação outra no coração da globalização, na sua aorta comunicativa.
(Introdução de Intenções)
A rede IMC permite editar, de forma instantânea, notícias, relatos, análises, ou comentários, num sítio web acessível globalmente; anima a criação duma comunidade aberta e activa de utilizadores que se convertem, eles próprios, em meios de comunicação alternativa; reinventa um jornalismo político sem especializações. O C.M.I Portugaliza confia que as pessoas que publicam as suas notícias apresentem a sua informação de forma completa, honesta e exacta, evitando, dentro do possível, a simples propaganda. O conteúdo do sítio é, assim, criado através de um sistema de publicação livre: qualquer pessoa pode colocar notícias, seja em texto, seja em imagem. Através deste sistema de Média Directo, o C.M.I Portugaliza tenta causar o máximo de erosão possível nas linhas que dividem os repórteres daquilo que é noticiado, os produtores activos e a audiência passiva: as pessoas e colectivos podem falar por elas próprias. Queremos, assim, promover narrações verídicas e apaixonadas, coisa que a muita gente pode parecer incongruente. O C.M.I Portugaliza aposta nisso: só vê longe e de forma profunda quem permite que a paixão sirva de alicerce ao seu olhar. Mas o imperativo da veracidade é algo irrenunciável: queremos fazer uma luta política com verdade, ainda que saibamos que a verdade não é só para descobrir mas também para criar. O Indymedia Portugal quer sair do gueto, romper os diques, superar as discussões estéreis que o povoam e entretêm, evitar os exercícios ideológicos vãos. Quer ser uma ferramenta nas mãos das apostas políticas que estejam à altura dos tempos, que modifiquem a consciência das multidões e abram espaços de sociabilidade alternativa subtraída à lógica da guerra e do capitalismo. Quer ser um indymedia descentralizado que supere os provincialismos curtos de vistas, quer abrir janelas e portas a outras formas de fazer política que se ensaiam por todo o planeta para que se mobilizem a nossa imaginação social e as nossas esperanças num mundo outro.
(termo de responsabilidade)
Todo e qualquer material publicado é da exclusiva responsabilidade da pessoa que tomou a iniciativa de o publicar. O C.M.I Portugaliza existe com o único propósito de defender a liberdade de expressão, liberdade de informação e para servir o interesse público. O C.M.I Portugaliza fornece informação com a finalidade única de educar e promover a investigação.A informação, pontos de vista e opiniões contidos nos textos e imagens no C.M.I Portugaliza não são referentes ao dono nem ao servidor do site, nem são necessariamente referentes ao responsável pela manutenção e contribuição para a existência do site. Se tens alguma questão a colocar sobre a nossa visão politica, por favor, sente-te livre para nos contactar. Aconselhamos, por uma questão de honestidade, que ao colocares um texto da autoria de uma outra pessoa ou colectivo, reveles a sua fonte.
(direitos de autor)
Ao colocares as tuas notícias ou qualquer outro artigo, concordas explicitamente, que este material seja usado, quer pelo Indymedia, quer por qualquer outra pessoa sem qualquer tipo de limitação e sem que recebas seja o que for em troca.
(conclusão e apelo)
O C.M.I Portugaliza pretende, assim, pôr em prática todos os mecanismos da imaginação que nos permitam, em conjunto, criar, aqui e agora, fragmentos de um mundo melhor. O desafio é, portanto, grande. Mas acreditamos que um colectivo de pessoas empenhadas em construir algo em conjunto conseguirá, enquanto esse empenho se mantiver, fazê-lo, ultrapassando as várias barreiras que forem surgindo. Pretende-se, portanto, com este texto, não apenas a apresentação de uma nova forma de mostrar o que nos move, mas, acima de tudo, lançar um apelo para todos os que, como nós, acreditam que a realização voluntária, colectiva e horizontal de um meio de informação é, ao mesmo tempo, uma machadada nos paradigmas actuais e uma experiência de trabalho num mundo já transformado. Um apelo para que se juntem a esse mundo, para que se povoe de gente e, portanto, de novas possibilidades de ser melhor.
Parte 2. Política editorial
Funcionamento do Indymedia
O C.M.I Portugaliza é, como todos os centros de média independentes, um projecto de informação livre e independente e cumpre com os requisitos para fazer parte da rede IMC e concorda com os princípios de filiação à rede. Funciona para que as pessoas possam tornar-se elas mesmas em meios de informação livres e independentes.
Como tal, pretendemos realizar uma acção directa informativa, deixar de confiar aos media corporativos a função de intermediários entre os acontecimentos e a actividade que realizamos.
(O strafwetboek propõe a seguinte alternativa)
Como tal, pretendemos realizar umha acção directa informativa, deixando de confiar nos meios de comunicação masiva a tarefa de intermediar em exclusiva entre os acontecimentos e a súa interpretação. Convertímonos pois em fonte generadora dum discurso livre da manipulação de governos e corporações, e asumimos o noso papel como artífices e coidadores das canales que nos permitem transmitir e difundir umha outra visão da realidade.
Para tal, tentamos criar redes de informação com colectivos e movimentos sociais que estejam no terreno, que conheçam a realidade e mais do que tudo, que não estejam interessado na filtragem de acontecimentos em nome de interesses meramente utilitários.
Como este site se destina unicamente à publicação de textos com carácter explicitamente informativo, que promovam a liberdade e igualdade de direitos, todos os posts ou publicações que desrespeitem estes princípios podem ser retirados do site, desde que exista um consenso do núcleo editorial, após o que será dada a devida explicação e informação à pessoa que os colocou, caso seja solicitada.
(Como alternativa a este último parágrafo, o strafwetboek propõe o seguinte):
Forma parte das tarefas do colectivo editorial a retirada daquelas contribuções que desrespeitem os princípios da nossa declaração de intenções ou nos documentos da rede Indymedia, nomeadamente aquelas que vaiam em contra da liberdade e igualdade de direitos que promovemos dende o cmi-portugaliza. Poderão ser retiradas esta clase de contribuções desde que exista um consenso do colectivo editorial, após o que será dada a devida explicação e informação como comentario nesa mesma contribuçao, ou á pessoa/ colectivo que os colocou, caso seja solicitada. Estão nessas condições, por ejemplo:
Estão nessas condições, por exemplo:
- marketing comercial;
- contribuições repetidas;
- contribuições vazias;
- pornografia; o strafwetboek preferia que estivesse escrito pornografia infantil.
Toni:
Pessoalmente, não fecharia o conceito. Deixava ficar pornografia, apenas, e confiava no nosso bom senso ao vermos as coisas caso a caso
- contribuições com proselitismo religioso;
- contribuições com proselitismo partidário
(discussão a continuar);
(comentário do strafwetboek):
Qué tal se definimos um pouco máis o de proselitismo partidário? Por ejemplo eu tenho claro que umha contribução que pretenda aumentar a militáncia num partido debe ser eliminada. Em cambio, umha contribução que difunda a ideología dum partido é umha contribução válida: a ideología não é patrimonio dum partido.
Toni:
Até aqui concordo. Foi isso que se decidiu na reunião do Porto e decidiu-se chamar apenas proselitismo partidário para evitar definir muito pormenorizadamente o que queremos dizer. Mais uma vez, deixava ficar e confiava no nosso bom senso na discussão caso a caso.
SW (continuação):
O mesmo sucede cumha manifestação, umha juntantça, umha votação-referemdum, eleições, estatutos...- não acho contradictorio um post que favoreza determinadas posturas por moito que estas cadrem coa dum partido político.
Toni:
Aqui já não concordo e acho que te contradizes, porque antes afirmavas que uma contribuição que pretenda aumentar a militância num partido deveria ser eliminada. Uma manifestação, acho que sim, que deve ficar. Um comício, acho que não. Um referendo, acho que sim. Um apelo ao voto num partido numas eleições, acho que não. Caso a caso logo se vê.
- de carácter pessoal;
- ataques;
- violações da privacidade
- Contribuições administrativas
- posts de natureza discriminatória
(xenófobos, racistas, sexistas, misóginos, andrófobos, homófobos, etc). (decidiu-se retirar este ponto. Achamos melhor estar atentos e rebater do que impedir a livre expressão duma ideia, por muito absurda que nos pareça. Achamos que o bom senso pode imperar, quando discutirmos, caso a caso, se esta ou aquela notícia devem ser ou não apagadas)
É necessário ter em conta que o material a retirar é submetido à análise e discussão da lista de discussão do C.M.I Portugaliza, que é constituída por voluntári@s que trabalham gratuitamente e sem horário de trabalho fixo, pelo que pode levar vários dias até que um post a retirar seja descoberto e finalmente decidida a sua eliminação.
(princípios de funcionamento)
O C.M.I Portugaliza compromete-se com os seguintes princípios:
sw propõe: - compromiso cumha rede libre e liberada: comprometerse na defensa dumha sociedade
libre de patentes, software libre... se vos parece ajeitado, podo tratar de resumilo numha frase e o proponho á volta de correo.
(proposta de acrescento do sw)
- Trabalhar de forma não hierárquica;
- Rejeitar todas as formas de discriminação e dominação;
sw:
(aquí poderíamos engadir a cousa das mulheres, ja que estamos a falar de discriminação/ dominaçao: não basta com rejeitar, é preciso fomentar activamente a súa participaçao.).
Toni:
Por mim, acho bem essa ideia de fomentar a participação. Mas não poderíamos fomentar a participação das mulheres sem o fazer em relação a outr@s dominad@s e discriminad@s, sob risco de estarmos a reproduzir discriminações. Como, por muito abrangentes que consigamos ser, nunca conseguiremos fazer uma lista exaustiva de tod@s @s discriminad@s e dominad@s, o melhor é não fazer lista nenhuma. Rejeitar todas as formas de discriminação e dominação acho que é mais do que suficiente
- Compreender que a luta por um mundo melhor toma várias formas. O enfoque do Indymedia Portugal é na política, nas acções e nas campanhas de base;
- Não ter ligações a partidos políticos ou grandes ONGs;
(toda a gente é livre de pertencer ao colectivo, ao partido ou à ONG que quiser. O CMI não poderá, nunca, ser porta-voz desse colectivo, desse partido ou dessa ONG. É nesse sentido que não pode ter ligações. O CMI pode ter pessoas que militam em partidos. Não podem é estar no CMI como representantes do partido.)
(sw):
Neste ponto engadiría algo así como: "E nenguma pessoa que integre o CMI poderá actuar na súa representação sem o previo consenso do colectivo editorial".
Concordo em que é preciso manter este princípio, pero não desa forma. A primeira frase "Não ter ligações..." debería ser eliminada para que o enunciado deste princípio comeze com: "Toda a gente é livre...", co obxecto de evitarmos problemas cos entes políticos nao enumerados. Acho que a explicação é autocontida e suficiente, e evita os problemas que xurdiríam de calquera enumeração, que sempre será inexacta. Por ejemplo:
Com respito aos partidos políticos: Tenhamos em conta o ejemplo dumha informação baseada num partido político (o BNG) que publicou o seu programa eleitoral em formato .doc, o que quixemos denunciar dende o
HackLab?, posto que no mesmo programa incluían o propósito de fomentar o uso de formatos não patentados. Cal sería o problema de facilitar esa ligação, que de feito só pode ser experimentada ligando ao mesmo partido político? Trátase xustamente de fazer notar a contradicção, não por que o explique quem informa, senão por que o informado experimenta a contradicção no seu próprio monitor. O mesmo sucede cando se analiza a usabilidade da web dum partido político para demostrar a súa falta de sensibilidade e de solidaridade. Debemos negarnos a ligar ao comunicado intolerante que fai o tal representante na súa web, cando justamente o grave do asunto é que a web do tal partido contenha esa declaração? Para mim não tem sentido, como tampouco o tería não ter ligações.
Com respeita ás ONG... Greenpeace, SEO/BirdLife ou Amnistía Internacional são grandes ONG, que em moitas ocasiões trabalham acorde cos objectivos de Indymedia, ademais de ser um modelo de financiação á margem de governos, instituçoes, corporações... Cito a estas tres por que hai tres ejemplos claros do que digo: respectivamente, a publicação de informes toxicológicos independentes que fijo Greenpeace durante a crise do Prestige, também nesta crise os informes de mortandade en aves marinhas de SEO/BirdLife, ou as denúncias da tortura a presos políticos vascos que fai AI regularmente. Por qué deberíamos dificultar esa informaçao negándonos a ligar as súas páginas? Lembro também que era o Instituto Hidrográfico Portugués, que é umha entidade gubernamental, a que proveía as informações que o governo espanhol desmentía pero que os feitos confirmabam horas depois. Deberíamos cancelar as ligações ao IHP? Ou á ESA que mostraba imagems satelitais do rastro de fuel? Acho que não... Outra cousa seríam as grandes ONG católicas, ou aquelas promovidas polos governos para limpar a súa imagem como sucedeu em Irak por ejemplo: suponho que é a esas ONG Sí Gubernamentais ás que vos referides... pero não jeito de geralizar.
Em calquera caso enumeramos partidos políticos e ONG. Qué sucede cos sindicatos, xuventudes, irmandades, centros sociais (pensemos nas Casa De Galicia da emigração: algumhas são verdadeiros centros de proselitismo do PP, outras são republicanas...), asociações de vezinhos... ? Acho que a enumeração não é precisa.
- Perceber que a pressão contra informativa não levará, por si só, a uma mudança radical. Como colectivo, a nossa atitude é assertiva e, onde necessário, confrontacional. Inerente aos meios de comunicação empresariais está uma forte tendência de defesa das estruturas do poder capitalista, sendo uma ferramenta importantíssima na propagação destas estruturas por todo o mundo. Ao contrário deles, que tentam esconder essa tendência, o C.M.I Portugaliza não pretende atingir uma posição objectiva e imparcial: nós fazemos saber que somos subjectiv@s.
Esta ressalva aplica-se de forma mais válida agora que o C.M.I Portugaliza, a exemplo dos outros IMCs, dispõe de uma coluna central destacada e feita por um colectivo editorial constituído por voluntári@s. Esta coluna central (editoriais) reflecte notícias colocadas em linha, destacando temas específicos, de forma a que fiquem mais acessíveis. São discutidos e aprovados por voluntári@s
(colocar link), através da respectiva lista de discussão
(colocar link).
O
strafwetboek propõe uma descrição sumária da estrutura do site, tipo, na coluna da esquerda estão as notícias publicadas pelos utilizadores do site, na do centro os destaques que o colectivo editorial entende oportuno fazer e na da direita estão os comentários que qualquer pessoa pode fazer a qualquer notícia (a lista não é exaustiva nem o texto definitivo)
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